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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O encoberto a descobrir...


Paranomásia ou paronomásia é uma figura estilística que consiste no emprego de palavras com som semelhante numa mesma frase, também conhecido como trocadilho. Os trocadilhos são recursos retóricos bastante usados em discursos humorísticos e publicitários. Para fazer trocadilhos é importante conhecer o significado das palavras para que eles façam sentido e cumpram sua função retórica.

É importante lembrar que os sentidos das palavras se fazem pela vivência; uma palavra que, em um determinado momento, tem um sentido pode adquirir novos sentidos se fizermos novas associações. Um bom exemplo disso é a palavra medíocre, que no sentido original quer dizer “de qualidade média”, porém, no sentido pejorativo, a palavra ganhou o sentido de coisa de qualidade ruim.

Para fazer bons trocadilhos também é importante conhecer o idioma, por isso a língua nativa nos permite maiores realizações. Em outros idiomas, no entanto, precisamos de alguma vivência para arriscar alguns trocadilhos...
 
Alguns exemplos interessantes de trocadilhos:

"Quem casa, quer casa" (provérbio).
"Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre António Vieira).
Traduttore, traditore ("tradutor, traidor" em italiano).
Are you here for vacation or vocation? (Você está aqui em férias ou a trabalho? - inglês)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dos sentidos

1.  O cão mordeu o garoto.

2.  O garoto mordeu o cão.

São as mesmas palavras, porém, em diferentes construções, mudam completamente o sentido. Na primeira, entendemos que algo normal aconteceu; na segunda, algo muito estranho. Nisso reside o poder da palavra: nós construímos seu sentido. Eis um bom motivo para ter cuidado no uso que é feito da palavra. Por ela se produz vida ou morte; alegria ou tristeza; compreensão ou confusão; esperança ou desânimo; louvor ou maldição... 

Antes de repetirmos o que ouvimos ou lemos, precisamos responder duas questões: Que uso quero fazer disso? Minha repetição representa concordância ou confronto? Só os tolos reproduzem palavras sem refletir.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Poética de uma palavra

Frase de um filme: “Nada que alguém diz antes de um ‘mas’ tem valor”. Para entender toda a carga de sentido dessa frase, é preciso saber o que há de especial na palavra “mas” que muda todo o valor do seu contexto. Não é novidade que uma simples palavra pode produzir mais de um sentido, ou, ainda, possuir mais de uma classificação. No contexto da frase, o “mas” é tomado como conjunção adversativa, o que significa dizer que “introduz o segmento que denota basicamente uma oposição ou restrição ao que já foi dito[i]”.

A carga poética da frase está no fato de que, em geral, ao dizermos algo e logo em seguida acrescentarmos um “mas”, introduzimos uma ideia oposta ao que foi dito antes, logo, conforme a frase, poderíamos dispensar a introdução e ir direto ao que realmente deve ser dito. O que faz a poesia não é a limitação do sentido ou do uso, mas a abertura de possibilidades de interpretações e, sem dúvida, a frase apresenta esta característica.




[i] Houaiss online.