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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ideologia severina


Cantava Cazuza que queria uma ideologia[1] para viver, mas na verdade ele já vivia de acordo com uma. “[...] a ideologia é constitutiva do processo social. [...] sendo o homem definido como um animal ideológico”.[2] Uma das primeiras frases que ouvi em sala de aula no curso de especialização foi “seu discurso não é seu”. Somos tão apegados ao que pensamos que nossa reação ao ouvir isso é de choque... Como assim “não é meu”?! Queremos provar que há algo de nosso no que pensamos, mas, fatalmente, teremos que reconhecer a verdade da afirmação. 

Diante do fato de reproduzirmos um repertório que nos foi colocado ao longo de nossas vidas por vários meios, concluímos o que já dizia o pregador “O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.”[3]

A notícia boa é que, embora não sejamos criadores do nosso discurso, podemos escolher o discurso que queremos adotar... Ao menos por enquanto, talvez, quem sabe, com muita força de vontade... Sim! Com muito esforço, alguns de nós ainda podem escolher o discurso que vai tomar para si, mas isso parece ter os dias contados. Já faz algum tempo que venho estudando a presença do espiritualismo[4] na literatura, e o que mais tem chamado a minha atenção é a ideologia por trás dos textos[5]. Também aprendemos com os estudiosos do discurso que todo discurso é intencional, embora muitos só se lembrem disso no que diz respeito aos textos religiosos. Não é sem intenção que figuras do “imaginário” aparecem no texto com um discurso que vai sendo transmitido de forma sutil e, de repente, não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, do riso tem-se feito o pranto...

Muitos defendem um liberalismo ditatorial que vai contra a ideia original do próprio liberalismo como uma defesa da liberdade individual. O indivíduo está perdendo a liberdade de escolher seu discurso, de forma consciente ou inconsciente. Quando o governo impõe uma lei que você não concorda, mas se vê obrigado a obedecer sob pena de perseguição, você é obrigado a engolir a escolha que foi feita por outros e, embora se fale em democracia, no fim das contas a imposição feita não admite opção contrária. Essa é a perda consciente. Porém, uma mais perigosa, é a perda da liberdade de escolha de forma inconsciente, colocada na mente das pessoas sem que elas, de fato, se deem conta do acontecido, apenas reproduzem o que recebem, porque entrou em suas mentes de uma maneira tão “agradável” e sutil... 

Dr. Donald A. Cowan, presidente emérito da Universidade de Dallas diz: "O que tomará o lugar da lógica, do fato e da análise na era vindoura? A forma central de pensamento para essa nova era será a imaginação... A imaginação será o agente ativo e criativo da cultura, transformando materiais brutos em um estado mais elevado e inteligível." - Anunciado em um fórum em 1988 no Dallas Institute of Humanities and Culture. Esse discurso formou o núcleo de seu livro Unbinding Prometheus: Education for the Coming Age. "A imersão sensorial ajuda os estudantes a assimilarem a realidade através da ilusão", escreveu o professor Chris Dede, da Universidade de Harvard, um líder global no desenvolvimento de programas de tecnologia da educação”. - Berit Kjos - Assim, a imaginação se torna um instrumento de formação de conceitos sem que a possível vítima - aquele que não percebe as associações do texto - entenda no que está se envolvendo.

É impressionante como nossa mente pode ser manipulada sem nos darmos conta de que estamos abrindo mão de escolher e somos preparados para responder com informações que nem sequer escolhemos. O grande embate nessa história ainda é o mais velho de todos, começado lá no Éden: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” – eis aqui a ideologia alternativa, estabelecida na simples pergunta: Você vai se deixar limitar só porque alguém disse que você não pode fazer? Que é isso? Vai fundo que não vai pegar nada...

Para saber se a árvore é boa basta ver o fruto... O problema é que tem muita árvore que o fruto parece bom e bonito para comer, mas por dentro está podre. Escolher uma ideologia está se tornando cada vez mais difícil, porque o pacote já está vindo pronto. Lutar por uma sociedade mais justa e melhor?! Vai se preparando para a guerra, porque o mar não está para peixe... 



[1] Sistema de ideias (crenças, tradições, princípios e mitos) interdependentes, sustentadas por um grupo social de qualquer natureza ou dimensão, as quais refletem, racionalizam e defendem os próprios interesses e compromissos institucionais, sejam estes morais, religiosos, políticos ou econômicos – dicionário Houaiss online.
[2] Émile Durkheim - acadêmico, sociólogo, antropólogo e filósofo francês, considerado um dos pais da Sociologia moderna, reconhecido como um dos melhores teóricos do conceito da coesão social.
[3] Eclesiastes 1.9, 10
[4] Qualquer doutrina ocultista ou religiosa que acredita na existência de espíritos imateriais – dicionário Houaiss online.
[5] O texto não apenas envolve a escrita, também outras unidades que constituem comunicação.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Opiniando


Não assisti ao programa com o Silas Malafaia ontem (04/02/13), mas até já sei a receita: a opinião do Silas - que ele já expôs em diversas ocasiões e que nem é novidade - e a mídia querendo criar uma polêmica para aumentar a audiência e, quem sabe de lambuja, conseguir ridicularizar um líder evangélico, colocar todos os evangélicos em um pacote e atacar a Igreja descaradamente. A julgar pelos comentários, parece que só a primeira parte funcionou. 

Esperar que os líderes dos movimentos homossexuais e seus seguidores entendam a postura sensata de discordar da prática do sexo entre iguais é ingenuidade. No máximo, temos dois grupos: 1. Os homossexuais que fazem sua escolha e vão viver sua vida sem preocupação com critérios de igrejas ou o que a Bíblia diz, porque estão mais interessados em viver suas vidas do que em aprovação de terceiros - temos que respeitar seus direitos; 2. Os que não estão preocupados em serem aceitos por Deus, muito menos pelas pessoas, mas trabalham para destruir a identidade da Igreja por discordar da opção que fizeram. Estes não brigam por aprovação - e, sim, por aceitação incondicional, usam palavrões para se referir aos líderes que se posicionam, aplicam erradamente a Bíblia como se fosse seu caderninho de frases para usar em determinadas ocasiões, odeiam os que não trabalham por sua causa...

Por outro lado, as igrejas evangélicas pouco sabem como receber aqueles que se chegam a elas na condição de homossexual e oferecem um pacote que dificilmente consegue se ajustar às necessidades espirituais da pessoa, e o resultado é uma guerra com a carne que nem sempre produz vitória para nenhum dos lados. Somado a isso, muitos evangélicos tomam para si a tarefa de salvar o mundo, esquecem que esse papel é de Jesus, com a ação do Espírito Santo. O povo de Deus ora e prega a Palavra, o Espírito Santo convence e Jesus salva.

Há um trecho no livro "As crônicas de Nárnia" que eu penso que ilustra a reação à pregação da Palavra, quando os anões não veem a beleza daquilo que Aslam e o seu grupo estão vendo e mostrando. Um dos anões diz: “Tentando fazer a gente acreditar que ninguém aqui está trancado e que não está escuro, e sabe-se lá o que mais..." (p. 715) - E Aslam fala para o grupo: "Eles não nos deixarão ajudá-los. Preferem a astúcia à crença. Embora a prisão deles esteja unicamente em suas próprias mentes, eles continuam lá. E têm tanto medo de serem ludibriados de novo que não conseguem livrar-se.” (p. 717).

Quem dera pudéssemos viver em um mundo em que fosse possível ouvir uma opinião contrária sem a necessidade de desrespeitar com xingamentos. Hoje, em relação à população nacional, são poucos os que conseguem isso... Ainda assim, eu acredito na educação, que não salva, mas ajuda a viver em sociedade e permite a liberdade de opinião.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Fatos de leitura


Os programas de incentivo à leitura crescem em número, a venda de livros aumentou, a inclusão no sistema de ensino melhorou, mesmo assim as pesquisas indicam que a capacidade de leitura do brasileiro ainda é bastante deficiente. Pior ainda, 2 em cada 5 com formação superior têm nível insuficiente de leitura – dados do Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa. 

Saldos tão baixos diante de um investimento que deveria produzir melhores resultados podem ser explicados especialmente pelas deficiências na formação de base somadas ao grau elevado de falta de compromisso com a qualidade. Ninguém desenvolve uma amizade com o texto de uma hora para outra... É importante investir ao longo da vida para ir melhorando cada vez mais. Porém, em um tempo de pessoas imediatistas, a expectativa de sucesso é para ontem. Os melhores resultados são apresentados nos primeiros anos de estudo, a formação superior é de baixa qualidade porque os estudantes querem o diploma, o título, mas o conhecimento é considerado secundário.

“Como ajudar pessoas que têm dificuldade para entender o que lê?” – é uma pergunta que sempre me faço. Eu desconfio que as dicas para entender melhor o texto não fazem sentido quando a pessoa não tem ideia do que fazer com a informação ou quando o leitor é limitado pela falta de experiência. Um exemplo disso é quando a dica para ajudar é: “Encontre o tema central do texto”. E quando tudo no texto parece relevante para o leitor? E se o leitor tem um repertório que o conduz para uma direção diferente do esperado? E se o texto remete a outro texto que revela o tema central considerando que o leitor conhece e capta a intertextualidade, mas ele nem sequer tem ideia do que está implícito?...

A pouca familiaridade com texto pode ser um fator que limita, mas acredito que o pior inimigo da leitura ainda é a falta de interesse em deixar de ser superficial e partir para a investigação séria e trabalhosa. Querer aprender é fundamental para ir além. Se a pessoa não quer aprender, muito pouco resta ao professor. No máximo, tentar acordar o gigante chamado “motivação”... E esperar que o aluno distraído entenda que a parte de colocar o gigante em ação depende exclusivamente dele.

Para quem não gosta de ler, uma dica é não começar com leituras longas. Se você quiser incentivar alguém a ler, comece com doses homeopáticas. Dê textos curtos diariamente. Varie os gêneros textuais. Um pouco de leitura todos os dias vai despertando interesse para ir ampliando, permitindo que o prazer da leitura se instale. Mais do que ler muito, é preciso incentivar a ler bem... A quantidade de textos deve ficar por conta do leitor – que seja bom enquanto dure!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Bene... o quê?!


Interessante como a linguagem sempre nos surpreende... Volta e meia recebemos uma ligação de alguém (telemarketing) oferecendo benefícios imperdíveis. A única questão que me intriga é a subjetividade da palavra benefício.

Segundo meu querido Houaiss[1], a dita palavra significa “ato ou efeito de fazer o bem, de prestar um serviço a outrem; auxílio, favor; graça, privilégio, honra ou provento concedidos a alguém; proveito, vantagem, direito; saldo resultante da diferença entre o custo e o preço de venda; lucro, ganho, interesse; resultado de benfeitoria, melhoramento, ampliação etc. resultado proveitoso; vantagem etc.” Até aqui, ótimo! Mas eu vivi há pouco uma situação em que a palavra foi usada e que eu fiquei com a forte impressão de que aqueles que a usaram não têm conhecimento dessa definição. Vamos ao exemplo prático...

Verificando meu extrato bancário, percebi que o banco em que tenho conta debitou R$ 7,99 em meu saldo já sofrido, com a explicação de ser anuidade de cartão de crédito. Seria até justo se eu tivesse o tal cartão e quisesse o tal crédito, mas não era o caso. Depois de inúmeras tentativas de entrar naquela simpática porta que trava toda vez que aparece alguém com cara de meliante[2] ameaçando invadir o recinto, me contentei em ser atendida do lado de fora por uma também simpática funcionária. Questionei a cobrança indevida de um “benefício” que não solicitei e ela me deu a singela explicação: “Esse benefício foi concedido por credibilidade pelo tempo de conta em nosso banco”. É claro que eu fiquei com cara de “Ué”. Ela me passou o número de telefone em que eu deveria gastar preciosos minutos solicitando que, por favor, não me beneficiasse mais – isso se o telefone não tivesse um detector de meliantes também. Atendida fui, tendo que responder mais de uma vez à doce pergunta: “Confirma que não quer o ‘benefício’ do crédito?” Confirmadum est! Parte II: Perguntei se iriam devolver meus preciosos R$ 7,99 solapados da minha conta. A resposta foi que eu deveria ligar daqui a três dias para solicitar o estorno.

Minha grande dúvida agora é: Como eu faço para processar o Houaiss por dar significados errados para as palavras???


[1] Dicionário de Língua Portuguesa online.
[2] Aquele que não trabalha; velhaco, indivíduo de maus costumes.

sábado, 16 de junho de 2012

Onomatopeicamente falando...


É interessante notar como os sons são interpretados em diferentes culturas, embora, na realidade, todos ouçam a mesma expressão sonora. O cachorro late igual em qualquer país, no entanto, ao reproduzir o som do latido, as formas variam bastante... Estranho isso! - wou-ou-ouuuu (francês); vau-ou-oouu (russo); uuuuu (italiano); au au (português); woof, woof; ruff, ruff; arf, arf (inglês) etc.[1] Outro exemplo interessante é o espirro. Na França é atchoum, na Alemanha hatschi e nos Estados Unidos atchoo, achoo ou achew e no Brasil é atchim. As onomatopeias são formas naturais de representações do som, que não estão submissas às regras dos sistemas fonológicos da língua.[2] Se as formas de representar esses sons variam bastante, as respostas não deixam por menos... Vejam algumas respostas que os espirros suscitam em algumas línguas:

Em português: Atchim - Saúde!
Em inglês: Atchoo! - Deus te abençoe!
Em indonésio: Hatchi - Bendito seja Deus!
Em dinamarquês: Atju - Poderá beneficiar-te!
Em letão: Apci - Isso é para sua saúde!
Em romeno: Hapciu - Boa sorte![3]

Se aquilo que ouvimos de maneira igual já causa interpretações diferentes, como é, então, o que ouvimos de forma diferente nos tons de voz, nas expressões faciais, no uso de palavras parecidas, mas não iguais, nas traduções etc. Quanto do que ouvimos realmente é o que achamos que é? Se não é, o que podemos fazer para minimizar a distância entre o que é dito e o que é entendido? Responder perguntas assim pode nos ajudar a estabelecer uma linha de comunicação menos turbulenta e mais eficaz, tanto dentro de uma cultura como no relacionamento transcultural.

[2] Mário Viaro, da Universidade de São Paulo (USP).
[3] Mundo estranho – “Última modificação: 27 de Dezembro de 2008”.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ateu com raiva de Deus


Tem coisa mais estranha do que um ateu reclamando de Deus?! Seria o mesmo que minhas meias desaparecerem e eu propagar minha raiva do saci pererê porque minhas meias sumiram... É, pode parecer estranho, mas eu não acredito na existência de saci, logo, se minhas meias sumiram, provavelmente eu fui descuidada e joguei em qualquer lugar... Ou a Pucca[1] pegou, já que ela adora pegar nossas meias e sair brigando com elas pela casa. 

Eu tenho visto dois tipos de ateus: os que se acham inteligentes demais para acreditarem em uma coisa tão básica como Deus; e os que estão com raiva de Deus: qualquer menção a esse Ser os deixa furiosos. Pode existir outro tipo de ateu, mas eu ainda não conheci. Lembro-me de ter conversado com um há muito tempo que parecia bem à vontade com o fato de não crer e respeitava outros pensamentos, mas não lembro o suficiente para dizer se ocuparia um terceiro tipo.

Discutir religião é algo sem sentido, porque, acreditando ou não em Deus, acho que todos devem concordar que a liberdade de escolha e de pensar deve ser garantida a cada ser humano, ou teríamos que nos exterminar mutuamente por impossibilidade de existência. Logo, se somos livres para escolher, não podemos discutir escolhas, mas podemos discutir ideias. Isso é legal. É muito bom conversar com gente que tem o pensamento bem organizado e que tem educação para manter uma conversa mentalmente saudável.

Sobre os ateus que têm raiva de Deus, podemos notar que, em geral, a raiva é produzida por alguma experiência desagradável em algum momento da vida e que, sem poder lidar com o fato, a pessoa atribui a Deus a culpa. É muito comum pessoas que tiveram relacionamento traumático com o pai atribuírem a Deus as características do próprio pai. A psicanálise apresenta boas explicações para o fato. Ainda assim, é esquisito alguém reclamando ou discutindo sobre as ações de um ser que supostamente não existe. Fica pior quando começa a discussão sobre a Bíblia. Se a pessoa também não crê na Bíblia como palavra de Deus, por que discutir a ‘ficção’? Se não é a Palavra de Deus, logo a pessoa toma como ficção, e não é normal que as pessoas comecem a discutir uma obra totalmente fictícia. Talvez a pessoa precise “travar o seu pacto ficcional”[2] ou admitir que está diante de um gigante invencível: sua fé ferida...




[1] Cachorrinha dos Nunes.
[2] Roland Barthes.

sábado, 5 de maio de 2012

Fala e direi quem és!


A primeira vez que li esta frase fiquei com um misto de quebra de expectativa – vulgo confusão – e a impressão de que a frase trazia mais informação do que a simples percepção de uma primeira leitura. E o texto se revela, levando-nos a seguir suas pistas...
De repente, em uma situação do cotidiano da maioria de nós, se não todos, encontramos pessoas que dizem coisas, na brincadeira, que deixam uma sensação de que há mais do que uma brincadeira. E o que isso tem a ver com a frase?! Vamos seguir o método “Jack”, por partes...

Sabe quando uma pessoa diz uma frase em tom de brincadeira, rindo, mas que só ela acha graça da colocação que fez?! E mais, se você tirar o sorriso da pessoa e a tentativa de fazer graça, você obtém uma informação que poderia ser considerada uma agressão a você?! Junte a isso a informação de que a pessoa que disse a frase tem dificuldade de guardar para si o que pensa, alguém que quer, o tempo inteiro, dizer o que pensa e corrigir o que acha errado, enfim, precisa “impor” o que pensa sobre qualquer assunto. Considerando que dizer algo desagradável para alguém nem sempre é bem visto, o recurso é dizer sem ter que se indispor diretamente com a pessoa. Em caso de reação negativa... Simples: “Foi só uma brincadeira”!

A pessoa que “sofre” a brincadeira pode reagir de diversas formas: não perceber e apenas sentir uma sensação estranha no ar, perceber e entrar na festa da “brincadeira” fazendo um comentário ligeiramente mordaz, perceber e não revidar, perceber e revidar. O grande problema para as pessoas que são cuidadosas ao interpretar as intenções dos outros é o receio de errar na leitura dessas intenções. A Análise do Discurso teoriza que não existe discurso sem intenção – em outras palavras, tudo que falamos está completamente repleto de intenção de comunicar algo, e o texto e seu contexto são importantes para entender qual.

Esse tipo de brincadeira deixa a mesma sensação da frase da imagem: tem algo errado. O que está errado é alguém tentar dizer algo desagradável que pensa sobre nós em um tom que não convence... Se alguém disser algo em tom de brincadeira que parece estranho, que tirando o riso dela e tom de brincadeira não convence e soa como uma ofensa para você, não vacile, deixe que a outra pessoa saiba que ofensa nem em brincadeira tem graça.