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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Uma questão de interpretação...


Professor: O que devo fazer para repartir 11 batatas por 7 pessoas?
Aluno: Purê de batata, senhor professor!

Professor: Joaquim, diga o presente do indicativo do verbo caminhar.
Aluno: Eu caminho... tu caminhas... ele caminha...
Professor: Mais depressa!
Aluno: Nós corremos, vós correis, eles correm!

Professor: "Chovia" que tempo é?
Aluno: É tempo feio, horroroso, senhor professor.

Professor: Quantos corações nós temos?
Aluno: Dois, senhor professor.
Professor: Dois?!
Aluno: Sim, o meu e o seu!

Dois alunos, muito amigos, chegam tarde à escola e justificam-se:
- O 1º Aluno diz: Acordei tarde, senhor professor!
Sonhei que fui à Polinésia e a viagem demorou muito.
- O 2º Aluno diz: E eu fui esperá-lo no aeroporto!

Professor: Pode dizer o nome de cinco coisas que contenham leite?
Aluno: Sim, senhor professor. Um queijo e quatro vacas.

Aluno de Direito fazendo um exame oral. A pergunta: O que é uma fraude?
Responde o aluno: É o que o Sr. Professor está fazendo.
O Professor (muito indignado): Ora essa, explique-se...
Diz o aluno: Segundo o Código Penal comete fraude todo aquele que se aproveita da ignorância do outro para o prejudicar!

Professora: Maria, aponte no mapa onde fica a América do Norte.
Maria: Aqui está.
Professora: Correto. Agora, turma, quem descobriu a América?
Turma: A Maria.

Professora: Bruno, que nome se dá a uma pessoa que continua a falar, mesmo quando os outros não estão interessados?
Bruno: Professora.
(Péssima resposta!)

Professora: Joãozinho, me diga sinceramente: você ora antes de cada refeição?
Joãozinho: Não professora; não preciso... A minha mãe é uma excelente cozinheira.

Professora: Artur, tua redação "O Meu Cão" é exatamente igual a do seu irmão. Você copiou?
Artur: Não, professora. O cão é que é o mesmo.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quem diz o que quer...

Li o texto de um [1]escritor que expressava sua indignação pela falta de compreensão de seus leitores quanto a suas afirmações. Dizia: “Como explicar que não perdi a fé, que não apostatei, que não estou na ladeira do inferno e que não sou um Belzebu? Diante de juízos subjetivos, melhor calar. [...] Como justificar-me diante da presunção de que não há outro caminho para a espiritualidade que não seja o pacotão doutrinário, que os evangélicos se consideram legítimos guardiões?”   

Na primeira frase, a pergunta revela também uma afirmação, porque o leitor entende que houve, em algum momento anterior ao texto, uma afirmação que conduziu à conclusão de que essa pessoa perdeu a fé, se não com as mesmas palavras expressas por ele, com outras que o levou a essa conclusão. Até aí, nenhum problema, afinal concluir que alguém perdeu a fé é uma possibilidade quando aquilo que a pessoa diz não condiz com o que é esperado por aquele que analisa o [2]texto. O leitor vai interpretar o que lê a partir do seu repertório, é uma das questões da “lei natural da leitura”.

Logo em seguida, o autor expressa insatisfação pela interpretação que tem sido dada aos seus textos e, por isso, afirma optar por se calar. Mas, essa afirmação não é tomada ao pé da letra uma vez que o texto continua, e continua mantendo a temática inicial. Na verdade, uma possibilidade de leitura dessa frase seria: “se eu não conseguir dizer o que quero, já vou me justificando que não disse nada”.

A outra pergunta que segue é bem interessante, porque o escritor faz exatamente o que acabou de criticar: com uma pergunta, critica severamente aqueles que não concordam com suas afirmações. Ou seja, continuando nesse bate e rebate, acabamos em textos sem saída - o leitor que não concorda com o escritor que, por sua vez, não concorda que o leitor não concorde com ele.

[3]Mario de Andrade disse: “Escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente grita. Penso depois, não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi”. Gosto dessa afirmação do Mario, porque, ao abrir a possibilidade de corrigir e justificar, ele deixa claro que o outro também pode ter alguma razão. Eu gosto de pensar que somos livres para concordar e discordar sem precisar entrar em guerra...


[1] O nome do autor não é mencionado porque este blog se destina a procurar possibilidades de leitura, o que mais nos interessa é o texto; só mencionando o escritor se for como recomendação de leitura ou para localizar o leitor.
[2] Entenda por texto toda e qualquer expressão comunicativa.
[3] Escritor modernista (1893-1945).

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dos sentidos

1.  O cão mordeu o garoto.

2.  O garoto mordeu o cão.

São as mesmas palavras, porém, em diferentes construções, mudam completamente o sentido. Na primeira, entendemos que algo normal aconteceu; na segunda, algo muito estranho. Nisso reside o poder da palavra: nós construímos seu sentido. Eis um bom motivo para ter cuidado no uso que é feito da palavra. Por ela se produz vida ou morte; alegria ou tristeza; compreensão ou confusão; esperança ou desânimo; louvor ou maldição... 

Antes de repetirmos o que ouvimos ou lemos, precisamos responder duas questões: Que uso quero fazer disso? Minha repetição representa concordância ou confronto? Só os tolos reproduzem palavras sem refletir.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Poética de uma palavra

Frase de um filme: “Nada que alguém diz antes de um ‘mas’ tem valor”. Para entender toda a carga de sentido dessa frase, é preciso saber o que há de especial na palavra “mas” que muda todo o valor do seu contexto. Não é novidade que uma simples palavra pode produzir mais de um sentido, ou, ainda, possuir mais de uma classificação. No contexto da frase, o “mas” é tomado como conjunção adversativa, o que significa dizer que “introduz o segmento que denota basicamente uma oposição ou restrição ao que já foi dito[i]”.

A carga poética da frase está no fato de que, em geral, ao dizermos algo e logo em seguida acrescentarmos um “mas”, introduzimos uma ideia oposta ao que foi dito antes, logo, conforme a frase, poderíamos dispensar a introdução e ir direto ao que realmente deve ser dito. O que faz a poesia não é a limitação do sentido ou do uso, mas a abertura de possibilidades de interpretações e, sem dúvida, a frase apresenta esta característica.




[i] Houaiss online.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A mídia manipula você?

Achei interessante notar, claramente, o discurso tendencioso do UOL. Duas notícias na mesma página. A primeira, lá no cantinho entre muitas outras notícias, com uma foto minúscula, falava da manifestação cristã de 20 mil pessoas – sem essa última informação, hoje (01/06/11), em Brasília. A outra, em destaque, no início da página, assim como tem lugar as notícias das paradas gays:

1. “Grupo organiza ''Marcha Cristã'' em Brasília para protestar contra o projeto que criminaliza a homofobia no Brasil.”

2. Modelo transexual [...] desfila de "engana-mamãe" no Fashion Rio.”

Aspectos discursivos das duas notícias: 

- a primeira refere-se a “grupo” sem especificação alguma, sem nome, logo, sem identidade; a segunda fornece a profissão, a preferência sexual e o nome, que eu optei por não mencionar, o que revela a intenção de propagar de forma a tornar conhecido;

- a primeira utiliza o verbo “organiza”, que não expressa necessariamente uma realização; na segunda, o verbo é “desfila”, que certamente apresenta o glamour da ação praticada;

- as expressões entre aspas são também reveladoras, porque elas indicam expressões que ocupam o lugar da não palavra, aquela que é usada na ausência de um termo que seja próprio; nesse caso, a expressão “Marcha Cristã” é colocada no mesmo plano de “engana-mamãe”;

- para fechar com chave de ouro a preferência do site, na notícia sobre a Marcha Cristã, está escrito que o propósito é “protestar contra o projeto que criminaliza a homofobia no Brasil” – opa, opa, opa... Faltou informação para o redator, porque o objetivo era marchar contra a lei que obriga todo cidadão a ser defensor do homossexualismo como preferência sexual prioritária... Quanta diferença!!!

Se isso acontece em uma página pessoal, é natural, mas, convenhamos, é um site que tem todo tipo de leitor; devia ter mais profissionalismo e respeitar a tão propagada diferença. 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O continente pelo conteúdo

Eu li a seguinte afirmação em um artigo escrito em um blog: “O lado bom da PL 122: a perseguição à Igreja”. Fiquei pensando em que instância seria essa perseguição. Seria no âmbito da Igreja invisível, daqueles que fazem parte dos escolhidos, que recusam se dobrar diante da besta?! Percebi que não era disso que o autor falava, porque em seguida ele utiliza o termo igreja com letra minúscula, o que poderia representar um descuido ou, o que parecia mais provável, se referia à Igreja como organização. Neste caso, quando utiliza o termo “igreja” com letra minúscula estaria particularizando uma célula da organização Igreja.

Seja qual for a intenção do autor, fato é que o texto afirma existir uma perseguição dirigida aos defensores da fé, e complementa com o fato de que só resistirão à “perseguição” aqueles que forem fiéis ao que creem. Sobrou entender o que é perseguição, uma vez que permaneci sem entender muito bem o sentido do texto. Segundo o querido Houaiss, no aspecto sociológico, perseguição significa “intolerância contra algum conjunto, organismo ou grupo social”[1]. Aí é que começa o problema... Até é compreensível a visão de perseguição, porque de fato há uma intolerância. O grande problema é: “que grupo social?”; “que conjunto?”; “que organismo?” – Não existe um ataque sistematizado a uma organização. O ataque é direcionado aos que se manifestam contrários, àqueles que têm fibra para enfrentar com opinião. As ameaças e impropérios são direcionados e atingem legalmente alguns indivíduos isoladamente. 

Quando Jesus disse “Todo reino dividido contra si mesmo é devastado”[2], na minha recepção, o diabo deve ter pensado assim: “Opa, taí o segredo para acabar com esses cristãos, dividi-los!”. Acontece que os primeiros cristãos estavam no calor da fé e eram unidos demais. Foi preciso trabalhar muito, mas finalmente a estratégia começou a contar com a colaboração dos “cristãos?”. Muitos participantes de igrejas estão aderindo à moda “dessexualizar/sexualizar”, há momentos em que eu até me pergunto se a inclinação sexual é questão de opção ou imposição, porque há os que querem fazer igrejas à moda do cliente. Para pizza e outros comestíveis isso até fica bom, mas, quando se trata de fé, sejamos sensatos, é melhor largar de vez do que tentar remendar o que não aceita remendo.

Fato é que há um desequilíbrio na fórmula de direitos. O problema ainda não está atingindo a organização o suficiente para produzir uma reação em conjunto. Em lugar de gerar fidelidade, está gerando conivência de alguns, apatia de outros, alguns estão ocupados com outros pecados e nem podem jogar pedra nesse telhado de vidro... Enquanto isso, a palavra verdade é tirada do dicionário, as pessoas aderem ao novo sistema, a liberdade entra em colapso e as pessoas morrem, morrem e morrem...  


[1] Houaiss – versão online – 2011.
[2] Mateus 12:25

terça-feira, 3 de maio de 2011

A questão como questão


“Não existe arte que possa decifrar o sentido da alma pela face”[1]. Essas palavras revelam, de certa forma, a complexidade da alma e o quanto é difícil avaliar todo o sentido do que está oculto em cada pessoa. Há os que acreditam ler as pessoas, mas, o que temos, muitas vezes, são pessoas julgando outras por aquilo que elas mesmas são e sentem... Porque entrar no coração de outros não é tarefa realizável.


A citação foi retirada de Macbeth – Shakespeare - e ela nos dá material para muitas páginas de considerações, mas aqui eu quero deixar apenas uma delas: o caminho mais curto para o ser, ou não ser, é a escolha. Para saber quem somos e o que realmente mostramos ser, um bom caminho é olhar para as escolhas que fazemos. 

O grande problema que Macbeth enfrenta é o conflito existente no “estar em cima do muro”. Isso se manifesta na divisão entre a ambição e a falta de coragem; no querer ganhar, ainda que de forma ilegítima, porém, que seja outro a realizar a tarefa suja. Em geral, o ser humano é inclinado a não admitir seu erro, e, para escapar de qualquer acusação, aponta a atitude do outro como razão para sua própria ação.

Os textos de Shakespeare apresentam elementos comuns. Hamlet diz “Ser ou não ser, eis a questão!” como ideia; e Macbeth mostra essa frase em seu conflito no agir; Fernando Pessoa traduz essa mesma visão ao dizer “Não ser é outro ser”.  Logo, temos aí duas opções: ser ou não ser. Duas opções já podem apresentar difícil escolha, especialmente quando surge a terceira: eis a questão!  Colocar essa expressão final nas opções de ser ou não ser se constitui na terceira e mais cruel postura, a de ter dúvida e permanecer em uma eterna pergunta. 

Escolher ser só ambição e agir em conformidade com essa escolha entra em choque com os conceitos éticos e morais que regem o comportamento da sociedade; escolher ser correto e paciente implica em, talvez, não alcançar alvos pessoais ousados. Também é preciso apresentar uma face de conformidade com os conceitos da sociedade; ou isso, ou mudar o pensamento social para acomodar propósitos sórdidos. Isso, porém, não é tarefa para um dia, leva anos. Anos de “não é bem assim”, “é só uma maneira de ver”, “agora não é mais desse jeito”, “precisamos nos ajustar às novas demandas”... E por aí vai. Até que, um dia, não é mais necessário esconder o mal interior, porque o mau já não é tão mau assim, é até muito bom se você considerar que... (aqui aparecem as argumentações dos ajustes de novos conceitos morais - ou imorais).

Muitas vezes, o ser envolve assumir opiniões e atitudes que não são aceitas pelos que se colocam como juízes das ações alheias, ou mesmo a própria pessoa se condena nessa escolha; por outro lado, o não ser pode significar abrir mão do que a alma guarda como desejo maior. Ficar na dúvida guarda o perigo de viver sem sequer existir. De qualquer maneira, as consequências SEMPRE existirão para qualquer posicionamento ou falta dele. E um dia a conta chega. Bem-aventurados os que tiverem saldo para pagar...

Que fique a reflexão:

Ser!?

Não ser!?

O muro!?

O preço!!!



[1] SHAKESPEARE, William. Macbeth; Hamlet, príncipe da Dinamarca. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
Imagem: Angel Boligan